Então eu cresci, amadureci e meus amigos também cresceram e o mundo mudou e muito, com suas tecnologias e seus muros e eu não pensava mais na minha infância, na minha ansiedade de ser "gente grande" eu deixei para trás dias ensolarados, roupas sujas e por diversas vezes furada e a pureza de ser feliz por conseguir andar 10 metros na bicicleta.
Então nasceram meus filhos, um,dois, três. E eu venho revivendo meus momentos de infância desde de então, me colocando no lugar deles, pensando no que eu gostava de fazer e no que foi importante para eu me tornar o que eu sou hoje, além da educação que tive que foi muito boa, do amor que tive que foi abundante, minha mãe e minha vó ( que teve uma boa participação) me deram algo que eu acho que falta muito hoje em dia, que foi a liberdade, de experimentar , de sujar, de cair , de levantar e de aprender as coisas sozinha, elas mostravam o caminho e deram a liberdade de seguir ou não. E assim eu tenho um "mural" de pedacinhos de felicidade guardados dentro de mim.
Bolhas de sabão, ralados no joelhos, bolinhos de terra molhada, banho de chuva, brigadeiro de panela, abraço de mãe, olhar de vó, pizza de carne moída, danças sem música, pedacinhos esse que me transformaram em uma pessoa confiante e feliz.
Voltando aos meus filhos, peço a Deus sabedoria para dar essa liberdade, para que quando cresçam tenham pedacinhos e pedações de felicidade dentro de si e fiz esse texto enorme somente para colocar o registro de uma bagunça de lama, que muitos podem achar errado , mais que meu coração afirma que acertou.
Espero sempre lembrar que um dia eu fui criança e o que era importante para mim naquela época, para priorizar o que realmente importa para as minhas crianças.
| Um balde com água e um pouco de terra. |
| Até a cara suja. |
| Perguntaram se podiam por a mão. Foi um pouco mais que isso. |
| Um pequeno motivo para ser feliz. |




